"SER MÃE, FEITO SER LUA”








“SER MÃE, FEITO SER LUA”
Não experimentei nada mais complexo do que que ser mãe.
E não existe o que nos prepare para isso. Tempos depois, concluímos que “não sabemos de nada, inocente!”.
A sorte, é que quando estamos por aqui há menos tempo, não pensamos em nada disso. Do contrário, penso eu, a humanidade já teria se extinguido, afinal, são tantas coisas envolvidas, tantos desafios que nem sei.
Mas, às páginas tantas, lá na frente da vida, percebemos que há muito mais, do que o que já nos parecia esplendidamente grandioso.
Eu, nasci querendo ser mãe. E mãe de menina mulher. Criança, queria ser cozinheira ou médica. E mãe.
Da Medicina, desisti porque queria ser mãe presente, artesanal, mãe no cotidiano. E sabia que ser médica, seria me dedicar de uma forma que não caberia mais nada, sabia que seria entrega apaixonada, responsável, estudiosa, daquelas que faz do hospital a sua casa. Feito a entrega necessária a maternidade. Que preciso e que cabe em mim.
Sabia que queria trabalhar com grávidas e puérperas e/ou doentes terminais. Aprecio dar boas-vindas e encontro poesia nos processos de despedida. Os extremos da VIDA.
Naturalmente, nós mães, ferozmente tentamos oferecer o que nos faltou lá atrás na nossa infância, e de alguma maneira este exercício parece nos curar lentamente, mesmo quando abre feridas e denuncia incompetências.
Ser mãe, também, é acolher e expor a nossa Criança Interior. A todo amor, dores, dúvidas, reflexões e transformações, que ficaram perdidas em algum recanto dos porões da nossa alma.
E para isso, precisamos cuidar de nossas feridas, compreender nossas emoções profundamente. Ter clareza e entendimento incansavelmente desfiado durante o exercício do viver.
Toda essa função lunar é infinita assim como os sustos, as surpresas, os transbordamentos de alegria, de conexão perfeita.
A construção da maternidade é contínua e viva. É coração batendo forte, é delicadeza, crises, desespero, visão turva, humildade, disposição, entrega e encantamento.
Existem necessidades que se revelam muito depois. Quando uma e outra, adultas, percebem e aceitam o inevitável convite de que a transformação desta parceria, assim como de outras, é imperativa sempre.
O amor suporta com bravura as crises e se fortalece.
É como se entregar ao desconhecido abismo, gritar seu terror, sua insegurança, para então começar a flanar e a voar, e a se movimentar com a liberdade de quem leva dentro de si, uma história construída muitas vezes como se fosse ferro em brasa.
Quando nos tornamos mães, temos outra compreensão de nossas mães. E mesmo assim existem acusações, por lembranças e sensações trazidas pela nossa Criança exposta.
Minha mãe, já falei sobre ela. Mamis poderosa, tem a Lua em Aquário. Útero social, jamais cria problemas, sempre busca soluções. Mamis é facilitadora! Tem fogo nas ventas e é ligada no 220V. Haja fôlego. Não é de nhenhenhém, se precisar de colo, faça fila, pois mamis é aclamada pelas multidões. Mas se tiver calma e puder ir se resolvendo, melhor para você. Mamis, quase não é desse mundo. E isso pode ser uma grande diversão, após a primeira longa infância.
Inesgotável observatório e aprendizado. Mamis tem asas!!!! Maravilhosa para uso externo e para uso interno, você rala. Mamis poderosa é abelha rainha. Se você entender isso, está na paz. Mamis não quer guerra com ninguém, apesar de em alguns momentos até os mais transloucados anjos duvidem disso. Mamis poderosa não é para principiantes!
Meu sonho de consumo, ainda pequena, era toalha xadrez, paninho no cesto de pão e Cola Cola família. Era o aconchego nível máximo. Porque se houvesse Coca família era sinal de que estaríamos todos juntos. Ah e garrafa térmica. Porque para mim era sinal de estar sempre preparada para quem chegasse e se sentasse perto. Como podem ver, de perto ninguém é mesmo normal.
Mas, graças a Deusa e ao olhar atento em relação à VIDA, amadureci e anistiei Mamis poderosa. Passei a ser filha de uns bons anos para cá apenas e não mãe da mãe. O botão gira quando percebe na carne o óbvio, que suas dores em outra situação não permitem. Põe óbvio nisso. Que esta mãe já teve sua infância, suas vivências, construiu sua história e foi a melhor mãe que pode ser. De verdade. Porque eu também sou a melhor mãe que posso, a maternidade em todas as suas nuances é o grande tema da minha VIDA e estou longe de ser o que minha filha precisou. A grande diferença, é poder reconhecer amor apesar dos desacertos.
E aí, minha filha Clara virou mãe e reconheço sementes que soprei quando a vejo amar minha neta com liberdade, generosidade e entrega.
Jasmine fez minha mãe bisavó. Quatro gerações, VIDA que se renova.
E tudo isso acarinhou o que sempre foi o meu pulsar: conexões emocionais, intimidade emocional, entender esta busca por pertencimento, saber como é isso para o outro.
Esta necessidade de raízes, com cara de Coca Cola família, para que só então as asas possam fazer o seu trabalho.
Feliz Dia das Mães para todos os que exercem a maternidade no ritmo das batidas do seu coração! Não importa se esta maternidade é exercida por quem pariu, por quem encontrou o seu filho fora do seu corpo, não importa a limitação do DNA, não importa nada disso. Nossos filhos, chegam até nós seja lá como for. Chegam, através da nossa entrega, em desejarmos recebê-los.
Ser mãe, apresentar o mundo para outro ser, é uma honra concedida pelo Cosmos e pelo mundo espiritual. E o amor, é milagre que dá conta de muita coisa, e pode mudar tudo.
Maio 2020.

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