Tenho três janelas no meu quarto e durmo com todas abertas, apenas com tela. A menos que chova muito e eu prefira que o chão não se transforme numa extensão do mar.
Agorinha às 6h30m abri os olhos e estava tudo completamente laranja, como se o por do sol estivesse lá dentro.Levantei para ver e fora o laranja intenso logo acima no nivel do mar, havia uma faixa bem delimitada com nuvens que pareciam desenho animado num céu azul muito claro.
Na sequência, um trovão daqueles como se os deuses tivessem resolvido mudar tudo de lugar. E aí ficou tudo muito cinza, quase noite. E veio então um vento pequeno e uma chuva fraca.
Tão rapidamente que parecia um efeito especial do Cosmos.
Épico, como diz Jasmine, abrindo os braços para o horizonte desde pequenina, quando está na água enquanto o dia termina.
E pensei que esta sequência tão singular, traduz simbolicamente os sentimentos e o humores quase desconhecidos que tem feito parte do meu mundo interno nesse 2026.
Estranhamento grande, que insiste em dar as caras e fazer companhia. Eu, também me sinto passando do laranja pôr-do-sol à chuva quase quieta.
Por mais que sinta na pele toda a ebulição diária dos tempos, tento me situar e fluir, num estado de emoção confiante que igualmente tem insistido em me fazer companhia.
Ao mesmo tempo, existe um pano de fundo, no qual me sinto quase completamente perdida. Como se estivesse dentro daquelas bolas meio bolhas infláveis imensas, sendo lançada para lá e para cá em câmara lenta. E me sentindo calma.
Na hora em que o céu agorinha de manhã pareceu ter enlouquecido, pensei cá comigo o que me preocupava e o que ficou faltando fazer, caso o mundo estivesse se preparando para acabar com nossa estadia aqui. Um inventário do fim dos tempos.
E o que me veio?
Ufa, ainda bem que tem bastante ração dos gatos! Caramba, acabei não indo para a cidade e só tenho cinco comprimidos de Sintroyd. Ah e aquele olho no olho que tanto precisei e me foi recusado, que desdobrou uma parte minha que embora possa ser mais real aos olhos do mundo, me levou alegria e me trouxe perplexidade.
De resto, nada pendente, nada para amanhã. Não temo a finitude embora me dê tristeza. Sei que quem é do meu caminho é pela eternidade afora. Não importa o intervalo entre as encarnações, o tempo da evolução espiritual. Conexões não se dissolvem.
Fora o que mencionei, nada faltando. Nenhum possivel acerto, nada ficou para trás. Talvez porque desde que me percebo ser criatura habito com muita solitude e empenho aquilo do que é feito mundo interno.
Espero que este inicio da manhã tenha sido apenas sinais de justa ira da natureza. Que assim como a VIDA, pode nos assustar e ao mesmo tempo trazer beleza e poesia.
Sigamos fazendo a nossa parte.
E como dizem por aí, pela atenção, obrigada!
Bom dia,
Mônica
Mônica

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